sexta-feira, 1 de março de 2013

História musical cristã no Brasil - Parte 2

Na semana passada (leia a primeira parte da série aqui), vimos que a tradição musical protestante foi a base para o louvor praticado pela maioria evangélica no Brasil. Mas com os anos 1960 muitas coisas mudaram. Iniciou-se uma agitação cultural, dado o crescimento da indústria do entretenimento. Modas, músicas e filmes lançados nos Estados Unidos ou Inglaterra logo estariam sendo consumidos ou imitados. A América Latina também vivia um dos períodos mais conturbados de sua História. A operação Condor uniu os governos militares de Brasil, Argentina, Uruguai e Chile; criando uma rede conjunta de perseguição e tortura aos opositores ao regime ditatorial desses países. 

O cenário musical brasileiro refletia tudo isso em dois grupos. Os alienados tratavam de romances e aventuras, sem muito a se preocupar. A Jovem Guarda e seus desdobramentos introduziam no País o rock, os equipamentos elétricos (guitarra, baixo, amplificadores) e cantavam nas rádios e TVs sobre ‘brotos’ ou carrões. Já os engajados usavam suas letras e os festivais de música popular para criticar a repressão militar e incitar a resistência política. Geraldo Vandré, MPB4 e Chico Buarque destacavam-se como a voz dos politizados, buscando nas raízes do Brasil suas referências: violão, pandeiro, samba e baião. 

E como as congregações cristãs lidaram com isso? Algumas denominações se aproximaram do discurso dos engajados. Músicos cristãos começaram a compor em português, instando a duas mudanças: a espiritual e a política. E o violão e os ritmos brasileiros foram mais valorizados. Em contraponto, os músicos mais jovens também começaram a usar instrumentos elétricos na música cristã, já que a juventude, mais aberta às mudanças, se identificava com as recém-importadas baladas ou iê-iê-iê. E como chegamos ao cenário atual? Veremos no fechamento de nossa série, semana que vem. 

Guilherme Hugo é estudante de Contábeis e, na igreja de Boa Viagem, faz parte das equipes de Comunicação, Música e Sonoplastia

Nenhum comentário:

Postar um comentário