sexta-feira, 15 de março de 2013

Sem mitos

Durante toda a minha infância, aprendi que o papa seria um dos responsáveis pelo decreto dominical. Direta ou indiretamente, ele estaria envolvido na ordem que iria desencadear a perseguição aos milhares de guardadores do sábado, como eu. Ouvi tantas especulações que comecei a temer o assunto. 

Quando João Paulo II morreu, há oito anos, lembro-me de ter ficado apavorada. Achava que o decreto sairia em breve. Esse dia já era considerado terrível para mim. A ideia da Segunda Vinda de Cristo não tinha tanta importância na minha mente, pois algo não saía da minha cabeça: o dia em que teria que deixar a minha cidade. Como não entendia muito bem as profecias que muitos tentavam desmistificar, recordo-me de perder horas na cama, antes de dormir, pensando. Tentava imaginar para onde eu ia, as companhias, as rotas de fuga... 

Não sei se as crianças de hoje pensam sobre o tema, se ele provoca um pouco de pânico, assim como me causou. Mas se ainda existe algo notório é o sensacionalismo acerca do papado. Não sou especialista em religião, mas penso que o intuito das profecias não é esse, de deixar fiéis assustados. Toda vez que há troca de papa, surge uma especulação. 

Com a renúncia de Bento XVI, em uma era na qual as opiniões circulam praticamente livres e descontroladamente, vi nas últimas semanas pseudoespecialistas interpretando profecias, apostando situações como se tenta acertar loteria. Pior, sem muito ou nenhum entendimento histórico, cultural, religioso e bíblico. 

Devemos examinar as Escrituras e tentar compreender as profecias? Sem dúvidas. No entanto, é preciso ter cuidado com especulações. Inclusive, quando repassamos interpretações a outros. O que precisamos, na verdade, é pedir sabedoria e buscar a Deus constantemente. Temos que estar preparados hoje e independente de qualquer situação. 

Tatyanne de Morais é jornalista e, na igreja de Boa Viagem, líder de Comunicação

Nenhum comentário:

Postar um comentário