quinta-feira, 24 de março de 2016

O que está dando errado?

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Aconteceu tem um tempo. Fui dar uma olhada em como os religiosos se comportam nas redes sociais e fiquei estarrecido (se bem que meio cínico). É que o comportamento era tão claramente antibíblico que sua natureza carnal era percebida facilmente pelos não cristãos. O pior é que ninguém do nosso lado percebia a agressividade nem a vaidade embutidas nas linhas digitadas.

Aí as coisas começaram a voltar na minha memória. Lembrei de grupos de crentes no Whatsapp onde imagens pornográficas circulam sem causar constrangimento. Lembrei de frases como “perdoo não”. Lembrei do prazer que alguns sentem nas coisas do oculto e aí a pergunta foi automática: o que está dando errado?

Não deveria a religião estar fazendo de nós pessoas mais próximas do caráter de Cristo? E que Cristo é esse que pesa a mão no sarcasmo e no rancor via comentários do Facebook? Ou que Cristo é esse que relativiza a promiscuidade para torná-la palatável ao frequentador de igreja? Não se trata de subir num pedestal de santidade (eu cairia dele fácil) e criticar o que de cima vejo. Trata-se de ser realista com uma característica que faz parte da geração em que eu me incluo.

Eu poderia confortavelmente descambar para a conclusão fácil de que precisamos ter menos religião e mais relacionamento. Prefiro evitar esse raciocínio. Não que ele não seja verdadeiro. É só que ele já foi dito várias vezes e não parece ter produzido muito resultado. Talvez seja melhor eu dizer que tenho a sensação de que estamos caminhando rapidamente para o ponto em que a degradação moral dos nossos jovens será irreversível (e quando chegará esse ponto? Nos adolescentes que aí já estão? Nos meus filhos? Nos filhos deles? Deus tenha piedade de nós) e que já não lutamos para salvar gerações nem “os jovens”, mas apenas indivíduos. Solitários indivíduos que se negam todos os dias - não sem quedas - ao mundo, e se aproximam - não sem relutância - de Deus.

Solitários? Antes sós do que mal acompanhados.

Ângelo Bernardes é professor e publicitário e, na igreja de Boa Viagem, diretor do Primeiras Horas

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