quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Maratona

Reprodução
São 42.195 metros de percurso. Era essa a distância entre o campo de batalha de Maratona e a cidade grega de Atenas. Trajeto percorrido por Fidípides, reza a lenda, para anunciar a vitória dos exércitos atenienses contra os persas. Desde então, a prova se tornou uma das mais clássicas dos Jogos Olímpicos - na antiguidade ou na Era Contemporânea. Em tantos anos de tradição, nenhum supera para mim o que aconteceu em 2004, na Olimpíada de Atenas. 

O Brasil nunca teve um vencedor da maratona. Naquele ano, os favoritos para a prova foram ficando distantes. Paul Tergat, então recordista mundial, corria com dificuldades. Erick Wainaina, medalhista de prata em Sydney 2000, e o campeão europeu Stefano Baldini também tinham ficado para trás. Era o Km 35. Faltavam apenas 7 Km para Vanderlei Cordeiro de Lima alcançar a vitória. Ele estava quase 30s na frente do segundo lugar, cerca de 150 metros. Foi quando o ex-padre Cornelius Horan invadiu o seu caminho, empurrando e segurando Vanderlei, fazendo-o perder o ritmo e a vitória. Para muitos, isso seria o fim da competição, mas o brasileiro conseguiu se recuperar e ganhar a medalha de bronze. O comitê olímpico internacional reconheceu o seu espírito esportivo em continuar na disputa, concedendo-lhe a Medalha Pierre de Coubertin. Na abertura do Rio 2016, teve a honra de acender a pira que simboliza os Jogos Olímpicos. 

Na época de Paulo, os Jogos Olímpicos da antiguidade ainda eram praticados (só seriam extintos no século 4). Também cidadão romano, ele entendia o que os jogos representavam na cultura de Roma, tanto é que a contextualizou. “Vocês não sabem que dentre todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio”, I Coríntios 9:24. Apesar de bem preparados, obstáculos podem surgir na nossa jornada cristã. Pode ser que não cheguemos em primeiro. Mas Vanderlei nos mostra que seguir adiante é o principal. Diferente da maratona, Cristo nos chama para uma prova em que o prêmio é dado para todos os que a completam.

Guilherme Cunha é estudante de Ciências Contábeis e, na igreja de Boa Viagem, líder de Comunicação

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