quinta-feira, 23 de março de 2017

A contemplação inútil

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A Bíblia é um livro extraordinário. Escrita durante cerca de 1.600 anos, por mais ou menos 40 autores diferentes, em três línguas distintas e tudo nela se conecta de forma impressionante.

A Bíblia é a palavra de Deus e seus textos são bons para ensinar, para repreender, para admoestar e para uma série de outras coisas. Beira o bizarro que pouca gente, mesmo dentro das igrejas, a leve realmente a sério. A constatação não é (só) minha. Aliás ela só me ocorreu durante a leitura do livro “Fuga para Deus”, de Jim Hohnberger.

Lá pelos capítulos finais ele arrazoa que a maior parte dos cristãos terá lido a Bíblia durante a vida toda sem não colocar sequer um único versículo em prática. Isso parecia exagerado tanto quanto assustador, mas à medida que refletia sobre o assunto percebi que a afirmação era legítima. As pessoas amam contemplar as coisas. Elas abrem o texto sagrado, leem que devemos nos irar sem pecar, que devemos suportar uns aos outros, que devemos nos afastar das rodas de maledicência, e uma porção de outras coisas.

As pessoas acham isso tudo lindo. Elas grifam, fazem anotações de rodapé, postam os textos nas redes sociais, comentam na escola sabatina, e depois fecham o livro, guardam e continuam as mesmas. A Bíblia permanece sendo linda, sagrada e inútil. “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”, disse Cristo um dia. Atos de amor não fazem muito sentido se permanecerem apenas em palavras, por mais poéticas que sejam. O amor precisa partir para a ação.

Que tal escolher uma orientação bíblica por semana para, sob oração e comunhão com Deus, torná-la uma realidade prática na sua vida?

Ângelo Bernardes é professor e, na igreja de Boa Viagem, integra a direção do Primeiras Horas

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