sexta-feira, 19 de maio de 2017

Terceirização

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Em 2017 celebra-se 500 anos da Reforma Protestante. Apesar do movimento reformista ter nomes anteriores (como John Wycliffe e Jan Hus), foi só quando Mantinho Lutero fixou a sua publicação das 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, que a semente enfim germinou. Bíblia e sermões em latim deram lugar à Mensagem sendo falada em idioma local. O texto bíblico foi traduzido para alemão, inglês, espanhol, francês, português, etc.

A posição do papa, dos bispos e dos padres católicos em relação aos seus fiéis os colocavam como intermediadores entre Deus e o indivíduo. A Igreja Católica se colocava como a conexão entre os dois extremos. “Quem não tem a igreja como mãe não tem Deus como Pai”. Uma terceirização do relacionamento com o Pai e da vida cristã.

Entre as diversas práticas que oprimiam quem não tinha recursos financeiros para bancar o perdão eclesiástico, três se destacam e foram condenadas pelos reformadores: as indulgências (compensação financeira por um perdão eclesiástico), as relíquias (objeto sagrado de veneração exposto em um ambiente, onde se recolhia ofertas para ter acesso ao local) e as simonias (venda de sacramentos e pagamento por bênçãos).

Olhemos agora para a realidade de várias comunidades evangélicas 500 anos depois: copo de água ungida em cima da TV (ou do Rio Nilo), sabonetes de purificação, deposite aqui a chave do seu carro, doações para receber em dobro... Além disso, líderes religiosos cada vez mais poderosos, intocáveis, com poderes políticos. É triste notar as semelhanças entre as práticas. Parece até voltamos no tempo, com a Teologia da Prosperidade terceirizando a fé.

Se entendemos que um dos princípios da Reforma Protestante era acabar com a negociação do relacionamento com Deus, precisamos de uma reforma hoje. Não aceitar esse jugo. Voltar ao estudo da Bíblia, oração e comunhão com Deus. E o resultado atual será o mesmo do que aconteceu 500 anos atrás: reaproximação entre Deus e o Homem.

Guilherme Cunha é estudante de Contábeis e, em Boa Viagem, lidera a Comunicação

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