quinta-feira, 22 de junho de 2017

Na UTI espiritual

Reprodução
Para a maioria das pessoas, um leito de Unidade em Terapia Intensiva quer dizer sinal de gravidade. Sinal de que os cuidados precisam ser imediatos. É na UTI que estão internados os pacientes de maior gravidade do ambiente hospitalar, de maior risco de vida.

Você deve estar se perguntando o motivo de estar falando de Terapia Intensiva. Trabalhando na UTI geral eu pude fazer algumas analogias. Em alguns momentos na vida, nós podemos representar os diversos “personagens” de uma UTI: o paciente, que precisa de recuperação, consciente ou não disso; o acompanhante, que ansiosamente aguarda pela recuperação de alguém querido, ajudando da forma que pode e lhe é permitido; ou ainda como parte da equipe de assistência.

Indo mais além e trazendo a ideia do cuidado intensivo para o nosso “ser cristão”, me pergunto que papel tenho eu feito dentre todos esses personagens. Será que eu sou o paciente tão gravemente enfermo? Se sim, tenho consciência disso? Consigo enxergar minha extrema necessidade de cuidado? Será que sou o acompanhante que ajuda, que visita o meu ente querido? Ou sou daqueles que não participa? Será que faço parte da equipe que coloca em prática os cuidados para com o meu irmão, sem enxergar a quem ele se dirige?


Quando penso em uma cena de uma “UTI espiritual”, penso em alguém gravemente enfermo espiritualmente, que anda longe de Deus e de Seus princípios; que tem ignorado Seu chamado; ou que já percorreu uma grande jornada, que acha que já não consegue mais e que não tem mais forças para voltar para o caminho certo. Vejo os acompanhantes como aqueles amigos/familiares que ainda se mostram presentes, em oração, em visita, aguardando o momento em que o médico, Deus, virá trazer notícias, e que tentam ajudar como podem. Vejo a equipe como sendo os que, mesmo sem conhecer, conseguem por em prática a prescrição médica de Deus.

Não sei se todos vocês perceberam, mas cada um de nós faz parte de um ciclo de cuidado. Em diversos momentos da vida podemos representar personagens diferentes; o que é importante entender é que todos eles levam a Deus, ao contato com Ele; nada pode ser feito sem a Sua orientação. Além disso, é de extrema importância entender que não vivemos em uma bolha; o cuidado precisa ser interpessoal. Faça uma reflexão hoje sobre aquelas pessoas que precisam do seu cuidado. Não deixe que o tempo passe e que as forças acabem para perceber que o paciente que precisa de cuidados espirituais intensivos é você!

Nathália Souza é médica e integra a equipe de Saúde da igreja de Boa Viagem

Nenhum comentário:

Postar um comentário